quarta-feira, 30 de julho de 2014

Franco



Não posso trocar de intenções
Como quem troca de camisa.
O que meu olhar disse, dito está.
O que deixei escrito mantém a tinta.

Não é porque me defendo no recalque
Que abandonaria uma certeza construída.
Talvez você não saiba, mas eu sei
Que nem tudo que cala, imobiliza.

A esperança é um brinquedo triste,
Mas quando você aceita a brincadeira
Sento de um dos lados da gangorra
Esperando o impulso que me joga aos céus.

A aspiração carrega sempre um amargor,
Mas tudo o que você promete
Quando aparece em minha mente,
Parece brigadeiro de colher.

E em vez de resmungar investidas alheias,
Em vez de rechear de atenção outro objeto,
Deito na grama no meio da praça
Porque não posso escolher por você.

Mas nenhum gato venderei por lebre,
Meu lobo não vestirá pele de ovelha.
O que meu olhar disse, dito está,
Até as consequências derradeiras.