Todo mundo bate à minha porta
para vender algum tipo de produto.
Mas eu não sou melhor que ninguém
porque sempre dou a mesma resposta.
A minha resposta desconsidera
o progresso do país nos últimos anos.
A minha resposta desconsidera
aquilo que os olhos não veem,
desconsidera as explosões de medo pós-tédio
e o salto de Alice no poço.
Os dentes triscando de ódio,
os dedos tremendo de inércia,
os dias tramando disparos
a minha resposta desconsidera.
Nela não estão fome, fatos, monstros, mortes,
gritos e aflições e gargalhadas sonsas
impossibilidades de amor quando nada é impossível,
impossibilidades de paz quando nada está em guerra,
a carbonização dos pensamentos delirantes na pira do amanhã,
tudo, tudo porque eu não sou melhor que ninguém,
eu não sou um produto, irmão.
Eu não posso ser um produto.
As minhas unhas crescem tortas para rasgar meu coração.
As minhas decisões morreram velhas quando encaro os fatos.
Eu não posso ser a minha resposta, irmão,
eu não posso andar na corda bamba das minhas próprias tripas,
e eu bem sei que não há outro caminho.
E é por isso, irmão,
que eu não sou melhor que você nem que ninguém
que sempre bate à minha porta
para me vender algum tipo de resposta.
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